sexta-feira, 2 de julho de 2010

40 e poucos dias depois

Não fiquei muito pilhado em ficar escrevendo o tempo inteiro durante a copa do mundo, ainda mais com o time que enviamos para a África do Sul, e com o agravante do enclausuramento que a seleção brasileira acabou fazendo por ordem do anão maior Dunga, e por isso ficamos todos sem muitas notícias.
O time da CBF pagou o preço pela baixa qualidade da convocação, pelas escolhas pouco inteligentes e por uma filosofia que deixaria o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite muito orgulhoso. Não se deve deixar muitos homens juntos, trancados sem descomprimir de vez em quando, pois toda a agressividade nata do homem vem à tona e o poder mental da concentração se esvai.
Os esportes coletivos provam o quão é importante a gestão de pessoas e da utilização de indivíduos heterogêneas em um ambiente homogênio com um foco em comum. Aprendi em mais de 10 anos jogando basquetebol, que em uma equipe deveríamos ter um jogador nato, um operário, um gênio e um colérico. Quando cito jogador nato eu cito o Maicon, o Juan, o Daniel Alves, atléticos com um bom domínio técnico que com um alto grau de competição intrínseco. O atleta operário como o Elano, Gilberto Silva, Michel Bastos, Lúcio, Kléberson, Ramires, Grafite, entre muitos que estavam ao lado do técnico da seleção no banco de reservas, suam muito, pensam pouco e correm para os outros. Os gênios seriam o Kaká e o Robinho e só!Deveriam ser fora de série mas foram comuns.
E os coléricos são o Luis Fabiano e o tal do Felipe Mello. Só que a cólera empregada no esporte geralmente motiva, inflama a todos ao redor fazendo com que sejam um propulsor para o restante, mas vimos apenas a ira e o descontrole destes rapazes.
Os gênios ficaram nos comerciais e nos games. Robinho é uma promessa que não aconteceu, vive de lampejos mas não consegue ter luz prórpria e Kaká é um gênio almofadinha, ele não consegue ser protagonista, depende de uma retaguarda forte e que o garanta. Os nossos gênios levados para a copa não fazem jus a fama. Foram comprometidos, aguerridos mas não possuem o perfil de produzir bem em uma situação adversa.
Não tenho nada contra o Luis Fabiano, ele salvou o Dunga muitas vezes, mas pela nossa história em mundiais ele é sem dúvida o mais desengonçado atacante que levamos para uma copa, concorre com Serginho Chulapa neste prêmio. Com uma dinastia que vem de Vavá, Tostão, Jairzinho, Reinaldo, Careca, Romário e Ronaldo, ter o "Fabuloso" como camisa 9 é uma decadência, ainda mais tendo Fred, Adriano, Neymar no Brasil assistindo no sofá, é de chorar.
Perdemos pelo descontrole, perdemos pela prepotência do Júlio César, pelo desequilíbrio emocional, pela falta de criatividade, pela teimosia, pelo conflito com a imprensa, enfim, pelo conjunto da obra.
Nunca nos esqueçamos que toda a tragédia é o conjunto de pequenos erros. E acho que 2014 já está comprometido, pois os estádios nem começaram a ser qualquer coisa!!!

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