quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

E 2012 começou!!

O ano novo começa e alguns sinais nunca mudam. O JEC termina o ano nos braços do povo e começa a nova lua cheio de dúvidas e cornetagens. O basquete fez algumas contratações e o time ganhou corpo e vai brigar pelos playoffs além de ganhar uma vaga na Liga das Américas, o que pode salvar o ano do clube.
A Krona apresenta o time de "galáticos" capitaneados por Fernando Ferretti, criando uma grande expectativa na cidade por títulos de expressão para 2012.

Sobre o JEC, penso que a promoção de Gonzaga Milioli como técnico do tricolor é algo passageiro, tenho informações extra oficiais que o treinador dos sonhos da direção do tricolor não poderia assumir a partir o fim do ano passado, então a solução caseira. Milioli não inventou nada e manteve a estrutura tática que Arturzinho montou, na estréia foi uma caricatura de praça do time campeão da série C. Sem contratações de peso e com um elenco que mescla a experiência com a juventude o JEC deve fazer do Catarinense um imenso laboratório para revelar jogadores da base, pois todo o ano o estadual derruba treinadores e massacra jogadores e acaba com qualquer planejamento feito previamente, portanto vamos apoiar pois acho que o rumo pode ser outro.

Fica a dica para o tricolor fazer peneirões nas cidades vizinhas como São Francisco do Sul, Araquari, Garuva, Barra Velha para trazer os jovens que não possuem condições de vir até Joinville e desta forma trazem mais torcedores e consumidores da marca JEC além de se arriscar a revelar uma jóia que pode estar perdida nestas cidades.
E o ano segue...a gente se fala!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tabelinha com....... Marcel de Souza (Parte II)

Esta é a segunda parte da entrevista com o super Marcel, um mestre e um exemplo a ser seguido, aproveitem!!

Esporte Joinville - A Escola Nacional de Técnicos vem trazendo avanços?

Marcel - O Brasil é muito vasto e antes da ENTB apenas a CBB tentava levar algum conhecimento aos professores de educação física que ensinavam o basquete.

A ENTB, embora seja uma escola criada de cima para baixo, ou seja, a CBB e não os técnicos a organizou, está conseguindo levar aos treinadores da base um grande instrumento de aprendizado do jogo.

EJ- A 4ª edição do NBB irá começar agora em novembro, o que você acha da liga? O nível e a estrutura das equipes melhorou significativamente ou não?

Marcel - A única restrição à NBB é o fato de se limitar o número de participantes por estado, sem levar em conta o potencial de equipes que estão de fora da competição em fazer uma melhor espetáculo do que equipes que têm seu lugar garantido por estatuto.

Na minha opinião, o critério deveria ser apenas de mercado, financeiro e técnico, pois se alguma equipe conseguir um grande patrocínio, jamais poderá participar se a cota dos clubes por estado estiver completa.

Também me incomoda muito o fato de que a final do NBB4 será realizada em um único jogo, o que vai contra ao grande basquete e, embora, financeiramente possa ser mais rentável, para o campeonato tal decisão não será tecnicamente lucrativa..

Eu acredito no dia em que a TV aberta terá interesse em transmitir todos os jogos de uma grande série final do NBB, como acontece em todos os lugares onde o basquete é levado a sério.
Quem justifica com dados financeiros e de “audiência” a final com jogo único, ou nunca jogou, ou jogou muito pouco e com certeza nem leva em consideração a macro-importância de uma competição como o NBB no esporte basquete bem como sua importância social e sua sobrevivência como um todo.



EJ - O que você pensa do trabalho de base feito pelos clubes brasileiros?

Marcel - Como disse, nossos técnicos trabalham pressionados pelos resultados e isso nunca foi compatível com o ensinamento correto do jogo.

Na minha formação como jogador de basquete (até os 15 anos), eu fazia apenas 7 jogos por temporada e meus técnicos tinham tempo para me treinar em todos os fundamentos sem se preocuparem se íamos ou não ser campeões do Sub-13!

Hoje é necessário ser campeão desde os 11 anos e o técnico desses garotos devem por força vencer e não ensinar o jogo.

Essa realidade é determinada pelos clubes, que não vêem (o Word ainda está com o sistema ortográfico antigo), interesse em apenas ensinar o jogo sem a competição. Preferem não ter a atividade caso não haja uma disputa oficial.

O ensinamento do jogo passa também por ensinar o jogador a competir, mas isso não deve ser o motivo principal que oriente a formação das novas gerações de atletas de basquetebol.


EJ - Como médico do Programa Saúde da Família e como Radiologista, você consegue ser tão feliz quanto em quadra? Conte-nos como foi a saga em se tornar médico jogando basquete profissionalmente.

Marcel - Muito mais feliz. Os elogios que recebia em quadra são agora dados no âmago de uma relação médico-paciente, onde o importante é aliviar o sofrimento deste.

Tudo começou em 1976 quando meu pai me disse que eu só voltaria para a Bradley se entrasse numa faculdade no Brasil.

Naquele ano fiz cursinho em São Paulo e entrei na Medicina por opção que até hoje não sei bem como foi feita.

Creio que tenha me olhado no espelho e visto lá dentro de mim um médico. Deve ter sido isso, pois a medicina é uma espécie de missão e a gente não escolhe a missão.

A missão é que nos escolhe.

Sei que daí para frente foi uma luta muito dura para conciliar o basquete em alto nível e a medicina.

Lembro-me de ir dormindo no ônibus até Franca, jogar, vencer e voltar dormindo até Jundiaí.

Chegava dos treinos do Sírio as 11 da noite e estudava até as 2 ou 3 da manhã.

Fazia plantão de internato direto, pois tinha que deixar dias livres para os jogos.

Enfim foi uma luta até me formar a qual sobrevivi sem DPs ou 2ª época.

Formei-me em 6 anos.

Retomei a medicina 10 anos depois para a especialização em Radiologia, mas daí já havia me tornado treinador e tudo foi mais fácil.

Hoje encaro a medicina como encarava o basquete: Treinamento duro e bola prá frente.

14 - Você pode relacionar quais os melhores jogadores com que jogou?

Na minha época joguei com e contra todos os melhores do mundo de Ubiratn, Wlamir Marques e Amaury Passos no Brasil, até Larry Bird, Magic Johnson e Michael Jordan, de 72 a 92 foram praticamente todos.

EJ - Quais os treinadores que mais te influenciaram na carreira?

Marcel - No início meu pai, que jogava basquete, mas nunca chegou a uma seleção, embora tenha jogado até no Sírio.

Todo filho quer de um modo ou de outro imitar o pai e comigo não foi diferente.

Dentro e fora das quadras ele me ensinou e me foi exemplo da única coisa que eu precisava saber para a minha vida inteira: ele me ensinou a aprender.

Daí para frente foi mais fácil e eu contei com a sorte de ter sido treinado por pessoas que me entenderam e me fizeram expressar o melhor de mim.

O primeiro deles foi João Francisco Bráz, medalhista olímpico em Londres 48, que veio para Jundiaí e nos ensinou todos os fundamentos do jogo.

No Sírio tive Pedro Genevicius, que corrigiu a minha aterrissagem após os arremessos.

Depois veio o grande Joe Stowell, meu técnico na Bradley, que me ensinou a entender o jogo de uma maneira total e seus conceitos são modernos até hoje.

Não os apliquei muito aqui no Brasil, mas na Itália o que ele me ensinou foi fundamental.

Depois dele sou muito grato a Claúdio Mortari meu técnico na era gloriosa do Sírio e a Edson Bispo do Santos meu primeiro técnico na seleção.

Ambos me levaram a jogar o melhor que podia e eu não os decepcionei.

Na Itália tive Bogdan Tanjevic, que me mostrou a intensidade que o jogo deve ser encarado e Giorgio Montano, que me ensinou todas as nuances do basquete de hoje.

Sou agradecido a Ary Vidal, que em certos momentos da minha vida substituiu meu pai fora das quadras e dentro dela me permitiu interpretar o jogo de basquete da maneira que eu achava apropriada naqueles também gloriosos momentos,

Por último, e eu sei que estou me esquecendo de muitos treinadores que também me ajudaram, não posso deixar de agradecer a Edvar Simões por ter me recuperado para o basquete quando tudo parecia perdido e poucos ainda acreditavam em mim.

Edvar me ensinou que eu poderia falar tudo o que desejasse, mas que eu teria que estar disposto e aberto a ouvir o que os outros tinham para me falar e expressar. Além de vencer o que fosse possível, é claro.


EJ - Considerações finais, espaço aberto para falar sobre algo que gostaria de responder e não foi perguntado.

Marcel - O que não me foi perguntado é o que não deveria ser falado, portanto espero que você tenha gostado de minhas palavras. Obrigado.