Bom amigos!
A convocação saiu, e pra variar houve polêmica, mas desta vez a discordância nos traz uma situação diferente, a total falta de talento da seleção me faz voltar na história e procurar uma seleção com um elenco tão fraco: Nas copas da era "medieval" tínhamos Leonidas, Ademir Queixada, Zizinho. Nas copas que ganhamos tivemos constelações. Em 58 havia Didi, Pepe, Zito. Nilton Santos, Djalma Santos, Vavá e os gênios Garrincha e Pelé. Em 62 os mesmos acima e ainda Amarildo que entrou no lugar de Pelé machucado. Ema 66 ano do maior vexame, tínhamos Pelé, Garrincha decadente, Gerson, Jairzinho, Tostão e perdemos para a violência e para a arbitragem. Em 70, 8 gênios dividindo o campo. Em 74 tínhamos jogadores do calibre de Rivellino, Luis Pereira (não fez uma boa copa), Leão, Jairzinho blackpower, o ótimo Carpegiani. Lá o Zagallo estragou um pouco. Em 78 o início de uma grande geração com Nelinho, Reinaldo, Zico, Zé Sérgio, Roberto Dinamite, Cerezo, muitos jogadores ótimos (a Argentina estragou essa copa). Em 82 a geração bailarina com Sócrates, Júnior, Leandro, Éder Aleixo, Falcão, Paulo Isidoro e Zico, não ganhou por causa de uma cagada do Cerezo. Em 86 os astros anteriores envelhecidos com a meninada Careca, Muller, Silas e Edivaldo(os Menudos do São Paulo). Em 90 a grande falta de talento de Lazzaroni, deu no que deu, Romário machucado, Valdo sem criatividade, e um 3-5-2 sem sentido. Na copa dos EUA em 94 sofremos mas Romário e Bebeto sozinho e uma defesa européia nos trouxeram a copa, junto com o mesmo Dunga. Em 98 jogamos de uma forma burocrática mas tínhamos o improviso de Rivaldo, Ronaldo, Bebeto envelhecido e a loucura do Denílson, fomos vice. Em 2002 a família Scolari com Ronaldinho jogando muito, Juninho Paulista como escudeiro de luxo, Rivaldo e Ronaldo a coisa foi até fácil. Em 2006 tínhamos um monte de gordos e velhos latifundiários como Cafu, Roberto Carlos, Ronaldo, mas tínhamos o Kaká que não resolveu, o Ronaldinho Gaúcho cansado de ser elogiado, mas ali quem atrapalhou foi o Parreira, pois o Robinho, Juninho Pernambucano, Cicinho e Fred estavam voando e ficaram no banco.
Agora temos uma seleção com jogadores bons, operários, mas não são gênios, não improvisam, tomara Deus que o Dunga esteja certo, mas ele precisa entender que está na contra-mão do futebol atual, olha pro Santos, pro Manchester, pro Chelsea, pra seleção da Espanha, da Inglaterra e até da Argentina, essas equipes estão jogando pra cima do adversário, agredindo, sufocando, escapando das marcações com brilho, improviso e qualidade. Será que temos isso tudo agora???
O Kaká está mal, o Luiz Fabiano e o Felipe Melo são temperamentais e sob pressão podem ser expulsos, o Elano é operário mas não garante nada. Vamos ficar dependendo dos dois laterais direitos jogarem juntos e bem!!! Time torto!!Mas mesmo assim boa sorte Dunga. Um fracasso seu será o fim de uma carreira que mal começou!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Os Brasileiros dos anos 80
Por ser campeão estadual praticamente todo o ano, o Jec era o representante catarinense no campeonato brasileiro. Haviam muitos times, as fórmulas de disputas eram extremamente confusas mas pra gente era festa, começava o ano e o brasileiro já dava sinais de vida.
Na minha lembrança o tricolor buscava muita gente no mercado interno para jogar os brasileiros, me disseram que o Lico que jogava no Avaí veio pra cá devido a oportunidade de jogar a competição nacional, o Balduíno a mesma coisa. Para mim a lembrança de uma contratação por empréstimo que mexeu com o coreto foi a do Albeneir em 1984, ele veio do Figueirense para jogar o Brasileirão e não fez feio. Era uma situação um pouco incômoda, mas mesmo assim as coisas andavam bem, ganhávamos em casa e apanhávamos fora dos grandes. Éramos grandes também!
Nestes muitos anos de tricolor na primeira divisão do brasileiro vimos muitos jogos interessantíssimos no Ernestão, alguns eu ouvi pelo rádio para ver os lances no dia seguinte, outros em companhia de vizinhos via no estádio, e eram jogos inesquecíveis.
Relato de um Jec x São Paulo em 1986, que parou a cidade, o time paulista veio completinho com Gilmar, Zé Teodoro, Adilson, Dario Pereyra e Nelsinho, Bernardo, Silas(atual treinador do Grêmio) e Pita, Muller, Careca e Sidnei, o Jec estava com Walter, Alfinete, Leandro , Adilço e Gilberto, Junior ( Dorival), Nardela e Maringá, Geraldo Pereira, Wagner e Paulo Egidio, foi o melhor zero a zero da minha vida. Pena que na volta no Morumbi tomamos de 5, mas não tinha problema, o nosso time dava canseira nos grandes, ganhava deles no Ernestão e fora às vezes dava pra engrossar. Temos bons aqueles.
Na minha lembrança o tricolor buscava muita gente no mercado interno para jogar os brasileiros, me disseram que o Lico que jogava no Avaí veio pra cá devido a oportunidade de jogar a competição nacional, o Balduíno a mesma coisa. Para mim a lembrança de uma contratação por empréstimo que mexeu com o coreto foi a do Albeneir em 1984, ele veio do Figueirense para jogar o Brasileirão e não fez feio. Era uma situação um pouco incômoda, mas mesmo assim as coisas andavam bem, ganhávamos em casa e apanhávamos fora dos grandes. Éramos grandes também!
Nestes muitos anos de tricolor na primeira divisão do brasileiro vimos muitos jogos interessantíssimos no Ernestão, alguns eu ouvi pelo rádio para ver os lances no dia seguinte, outros em companhia de vizinhos via no estádio, e eram jogos inesquecíveis.
Relato de um Jec x São Paulo em 1986, que parou a cidade, o time paulista veio completinho com Gilmar, Zé Teodoro, Adilson, Dario Pereyra e Nelsinho, Bernardo, Silas(atual treinador do Grêmio) e Pita, Muller, Careca e Sidnei, o Jec estava com Walter, Alfinete, Leandro , Adilço e Gilberto, Junior ( Dorival), Nardela e Maringá, Geraldo Pereira, Wagner e Paulo Egidio, foi o melhor zero a zero da minha vida. Pena que na volta no Morumbi tomamos de 5, mas não tinha problema, o nosso time dava canseira nos grandes, ganhava deles no Ernestão e fora às vezes dava pra engrossar. Temos bons aqueles.
Entendendo mais da coisa
Aprender a ler é uma conquista que abre as portas do mundo inteiro para qualquer indivíduo, e para mim não foi diferente. Quanto mais eu desenvolvia a leitura mais conhecimento, vocabulário e informação eu adquiria. Lia os jornais, todas as notícias, lia livros para minha idade. Os famosos livros da coleção Vaga-Lume.
O pai me dava semanalmente a revista Placar para que eu desenvolvesse a leitura, sendo uma forma alternativa de interesse e que acabou em uma doutrina futebolística. Ficava ligado em todas as partidas da semana, as reportagens, os fatos interessantes, às entrevistas, ás tabelas de classificação, tudo!!! Foi um momento de me tornar um cientista mirim do futebol além de ser a única fonte de informação mais descente de acompanhar o campeonato brasileiro da época, pois havia times demais, fórmula de disputa um pouco maluca, mas mesmo assim eu conseguia saber como ia o tricolor e como estava a eleição para a Bola de Prata no fim do campeonato.
Ler sobre futebol e aprender a ciência que há por trás da magia e da paixão também fascina, e é o que faço a quase 30 anos. Ir a um jogo e saber como o time vai jogar apenas olhando a disposição do time em campo, acaba sendo uma vantagem para o coração não se despedaçar sem necessidade.
Quando o tricolor e seus jogadores apareciam em qualquer matéria na revista, eu deixava de lado as aventuras de Xisto e lia enlouquecidamente. Era um orgulho, ver que o nosso time era importante e tinha repercussão nacional.
Era fantástico ler sobre a campanha do Jec nos brasileiros, as matérias com octacampeão Nardela e a famosa foto com as faixas. A apresentação dos ex-Jec Walter, João Carlos Maringá e Wagner Oliveira no Guarani, a reportagem sobre Moreno saindo do América para vir pro Jec, Paulo Egídio ganhando os holofotes do Brasil, Roberto Gaúcho, entre tantas. Como éramos grandes, como tínhamos importância. Bons tempos
Ler sobre futebol, ouvir histórias dos “catedráticos” em qualquer lugar que estes surgiam, foi uma primeira faculdade!
O pai me dava semanalmente a revista Placar para que eu desenvolvesse a leitura, sendo uma forma alternativa de interesse e que acabou em uma doutrina futebolística. Ficava ligado em todas as partidas da semana, as reportagens, os fatos interessantes, às entrevistas, ás tabelas de classificação, tudo!!! Foi um momento de me tornar um cientista mirim do futebol além de ser a única fonte de informação mais descente de acompanhar o campeonato brasileiro da época, pois havia times demais, fórmula de disputa um pouco maluca, mas mesmo assim eu conseguia saber como ia o tricolor e como estava a eleição para a Bola de Prata no fim do campeonato.
Ler sobre futebol e aprender a ciência que há por trás da magia e da paixão também fascina, e é o que faço a quase 30 anos. Ir a um jogo e saber como o time vai jogar apenas olhando a disposição do time em campo, acaba sendo uma vantagem para o coração não se despedaçar sem necessidade.
Quando o tricolor e seus jogadores apareciam em qualquer matéria na revista, eu deixava de lado as aventuras de Xisto e lia enlouquecidamente. Era um orgulho, ver que o nosso time era importante e tinha repercussão nacional.
Era fantástico ler sobre a campanha do Jec nos brasileiros, as matérias com octacampeão Nardela e a famosa foto com as faixas. A apresentação dos ex-Jec Walter, João Carlos Maringá e Wagner Oliveira no Guarani, a reportagem sobre Moreno saindo do América para vir pro Jec, Paulo Egídio ganhando os holofotes do Brasil, Roberto Gaúcho, entre tantas. Como éramos grandes, como tínhamos importância. Bons tempos
Ler sobre futebol, ouvir histórias dos “catedráticos” em qualquer lugar que estes surgiam, foi uma primeira faculdade!
Conhecendo ídolos
No fim de 1982, mudamos de residência e fomos morar no condomínio Adriana no bairro Boa Vista, ali conheci alguns amigos que levo pro resto da vida, pessoas diferentes, o início de uma vida social com a molecada. Aprendi a jogar futebol em uma quadra improvisada em um local com asfalto solto, um negóciol mal feito, mas era o que tínhamos. Nesta época éramos poucos meninos que gostavam de jogar futebol e tínhamos no ainda inacabado condomínio muitos locais para jogar, e apelidávamos as improvisadas quadras com nomes de estádios, como Maracanã, Morumbi e não podia deixar de ser o Ernestão. Era muito divertido, e minha mãe coitada vivia tratando dos meus joelhos ralados devido a aspereza do terreno. Além de arrumar uma fratura no nariz que me impediu de fazer as aulas de Educação Física por quase um ano, foi deprimente.
Por volta de 1983, havia uma agitação diferente no apartamento em frente ao que eu morava, um novo vizinho acabara de chegar. Era um homem negro de sorriso fácil, alto, cara de sambista boa gente, sotaque carioca, sua mulher tinha olhos muito bonitos e era muito divertida, ele tinha uma filhinha pequena e um enteado. Família divertida estes meus novos vizinhos de porta. Tinham um Chevette branco com placa do Rio de janeiro. O nome dele era Leonildo Aparecido da Silva, mais conhecido como Leo. O zagueiro conhecido por xerifão.
Tio Léo como nós os meninos do prédio o chamavam, era um cara fantástico, quando ele jogava e chegava em casa após o jogo, lá estava o pentelho aqui reclamando que não podia ter deixado o atacante adversário livre, ou reclamava que o parceiro de zaga dele não tinha feito um bom trabalho, pois na minha cabeça eu era praticamente um entendido no assunto futebol e ele apenas olhava com o olhar cansado pra mim, ria e falava: “Éh mesmo!!! Então tá bom, deixa que no próximo jogo não vou deixar ninguém chegar perto da área!!.
Leo não era um vizinho que vivia na casa de outro xeretando, mas era muito gentil, sua esposa a Bia vinha lá em casa de vez em quando, batia papo, pedia aquelas famosas xícaras de açúcar e eram bem diferentes dos cidadãos joinvillenses da época, digamos que eles gostavam de rir bastante.
Nesta época eu era viciado no Jec, sabia de tudo, de todos os jogadores, acompanhava os resultados, era um chato como dizia minha mãe, pois quando o tricolor ganhava eu ficava insuportável, mas se perdesse eu chegava a chorar.
O último andar dos edifícios do condomínio Adriana consiste em uma cobertura coletiva, que continha uma churrasqueira, com mesas e coisas do tipo, Uma bela noite de sábado ouço muitas vozes de homens no corredor do prédio e fiquei curioso, tinha uns 7 pra 8 anos e quando abro a porta vejo um monte de gente conversando entre eles o meia João Renato (loirinho bom de bola), Palmito (grande cabeça de área), o lateral-direito Sidnei, o goleirão Walter Diab, o nosso cracaço de bola Nardela, e mais alguns que eu acabei não reconhecendo de imediato. Tio Leo como sempre um gentleman comigo, me convidou para comer uma carninha com eles e ouvir algumas das histórias e piadas. Foi um momento sublime, se eu contasse para meus colegas de escola eles nunca acreditariam, me senti um menino exclusivo aquele dia, foi fantástico!!! Conheci de apertar a mão e de ouvir bobagens todos os grandes jogadores do nosso timaço, meu Deus como foi legal. Minha mãe acertadamente de chamou e pediu que fosse pra casa pois eles estavam ali pra justamente terem um momento de lazer e não precisariam de um rapazinho enchendo o saco deles.
Tempos depois no final do ano de 1983 ou começo de 1984, eu fiz uma viagem de férias com meu pai e me ausentei de Joinville por um tempo, na volta minha mãe muito feliz ao me ver retornando ao lar, me disse que tinha uma surpresa me aguardando no quarto, fui correndo ver o que era e quando cheguei, vi uma camisa tricolor com número 6 estampado ás costas e com o escudo do Jec bordado do lado direito do peito, não havia patrocínio declarado da Tigre na camisa ainda e por isso ela estava “limpa” de tudo, escrita nela uma dedicatória de parabéns pelo meu aniversário que havia sido em dezembro e assinatura de todos os jogadores do time, acho que até o presidente Waldomiro havia assinado, fiquei estarrecido, de boca aberta, foi o melhor presente que recebi na vida até aquele momento, quase nunca usava a camisa, deixava ela guardada, até que alguns anos depois eu acabei usando, cometi a asneira de ir jogar bola com ela , recebi um puxão e ela rasgou inteira, foi uma facada no coração.
Outro presente que ganhei do Tio Leo, foi ir ao estádio em dia jogo com ele, foi muito legal. Eu e o seu enteado o Flavinho ficávamos nas cadeiras do Ernestão assistindo ao jogo e ali era possível visualizar as cabines de rádio e TV, e via os locutores e comentaristas que marcaram época na imprensa esportiva da cidade, mas isso a gente fala mais pra frente. Após o jogo tive acesso ao vestiário do estádio, ver os jogadores após um jogo é uma coisa bem diferente, pois havia discussões, risadas, orações e alegria, uma coisa que saberia bem o que era anos mais tarde.
Houve um momento na carreira do zagueiro Leo no Jec em que sua fase não era muito boa, acabou fazendo uns gols contra, alguns erros grosseiros, mas como ele era o ídolo ao meu alcance, quando o encontrava no corredor do prédio dizia a ele que eu não estava triste por ele e que tudo era culpa no novo colega de zaga dele, o valente Leandro que viera do Grêmio. Houve um dia que o Jec perdeu um jogo em casa, não lembro agora pra quem e que o xerifão Leo acabou fazendo um gol contra ao desviar um cruzamento, as mídias detonaram o zagueirão, queriam a cabeça dele em uma bandeja de prata. Esperei o negão no corredor, quase em frente ao seu apartamento e disse ale que a culpa não era dele que o goleiro Walter havia falhado. Acho que adiantou, pois mais uma vez foram campeões catarinenses e ele ganhou ainda um troféu O Jornaleiro dado pelo jornal A Notícia para a seleção do ano. Acho que pra ele foi uma ano inesquecível.
O Leo foi muito vitorioso no Jec, venceu alguns estaduais e fazia parte do famoso time de 1985 que ficou em 8º lugar do Brasileirão daquele ano, em 1986 ele foi embora do tricolor, tinha se mudado do prédio algum tempo antes e assim perdemos contato, jogou em alguns times de menor expressão. Fiquei muito triste ao saber pela coluna do Maceió que ele havia falecido, O Tio Leo fez parte da minha vida como um admirador do futebol e como um jequeano.
Mais um ídolo que tive contato de perto foi o ex-ponta direita e técnico Ratinho, uma figuraça, simpático, falante e adorava contar seus momentos em times inesquecíveis, como a Portuguesa de Desportos, onde viveu seus melhores dias. Contava como eram as chuteiras de cravo na sua época e quanto pesavam as bolas quando se jogava na chuva. Falava do Rei do Futebol Pelé, e como ele jogava, era uma viagem no tempo, uma sala de aula de futebol. Falava de tática, de técnica e de como um time deveria fazer para conseguir atingir o equilíbrio. Eu me tornava um rapazinho chato, pois como estudava perto de onde era sua loja, por um período de uns 9 meses, acredito que fui quase todos os dias á sua loja, nem que fosse pra dizer apenas um olá!!
Que Deus cuide muito bem de vocês!!!!
Por volta de 1983, havia uma agitação diferente no apartamento em frente ao que eu morava, um novo vizinho acabara de chegar. Era um homem negro de sorriso fácil, alto, cara de sambista boa gente, sotaque carioca, sua mulher tinha olhos muito bonitos e era muito divertida, ele tinha uma filhinha pequena e um enteado. Família divertida estes meus novos vizinhos de porta. Tinham um Chevette branco com placa do Rio de janeiro. O nome dele era Leonildo Aparecido da Silva, mais conhecido como Leo. O zagueiro conhecido por xerifão.
Tio Léo como nós os meninos do prédio o chamavam, era um cara fantástico, quando ele jogava e chegava em casa após o jogo, lá estava o pentelho aqui reclamando que não podia ter deixado o atacante adversário livre, ou reclamava que o parceiro de zaga dele não tinha feito um bom trabalho, pois na minha cabeça eu era praticamente um entendido no assunto futebol e ele apenas olhava com o olhar cansado pra mim, ria e falava: “Éh mesmo!!! Então tá bom, deixa que no próximo jogo não vou deixar ninguém chegar perto da área!!.
Leo não era um vizinho que vivia na casa de outro xeretando, mas era muito gentil, sua esposa a Bia vinha lá em casa de vez em quando, batia papo, pedia aquelas famosas xícaras de açúcar e eram bem diferentes dos cidadãos joinvillenses da época, digamos que eles gostavam de rir bastante.
Nesta época eu era viciado no Jec, sabia de tudo, de todos os jogadores, acompanhava os resultados, era um chato como dizia minha mãe, pois quando o tricolor ganhava eu ficava insuportável, mas se perdesse eu chegava a chorar.
O último andar dos edifícios do condomínio Adriana consiste em uma cobertura coletiva, que continha uma churrasqueira, com mesas e coisas do tipo, Uma bela noite de sábado ouço muitas vozes de homens no corredor do prédio e fiquei curioso, tinha uns 7 pra 8 anos e quando abro a porta vejo um monte de gente conversando entre eles o meia João Renato (loirinho bom de bola), Palmito (grande cabeça de área), o lateral-direito Sidnei, o goleirão Walter Diab, o nosso cracaço de bola Nardela, e mais alguns que eu acabei não reconhecendo de imediato. Tio Leo como sempre um gentleman comigo, me convidou para comer uma carninha com eles e ouvir algumas das histórias e piadas. Foi um momento sublime, se eu contasse para meus colegas de escola eles nunca acreditariam, me senti um menino exclusivo aquele dia, foi fantástico!!! Conheci de apertar a mão e de ouvir bobagens todos os grandes jogadores do nosso timaço, meu Deus como foi legal. Minha mãe acertadamente de chamou e pediu que fosse pra casa pois eles estavam ali pra justamente terem um momento de lazer e não precisariam de um rapazinho enchendo o saco deles.
Tempos depois no final do ano de 1983 ou começo de 1984, eu fiz uma viagem de férias com meu pai e me ausentei de Joinville por um tempo, na volta minha mãe muito feliz ao me ver retornando ao lar, me disse que tinha uma surpresa me aguardando no quarto, fui correndo ver o que era e quando cheguei, vi uma camisa tricolor com número 6 estampado ás costas e com o escudo do Jec bordado do lado direito do peito, não havia patrocínio declarado da Tigre na camisa ainda e por isso ela estava “limpa” de tudo, escrita nela uma dedicatória de parabéns pelo meu aniversário que havia sido em dezembro e assinatura de todos os jogadores do time, acho que até o presidente Waldomiro havia assinado, fiquei estarrecido, de boca aberta, foi o melhor presente que recebi na vida até aquele momento, quase nunca usava a camisa, deixava ela guardada, até que alguns anos depois eu acabei usando, cometi a asneira de ir jogar bola com ela , recebi um puxão e ela rasgou inteira, foi uma facada no coração.
Outro presente que ganhei do Tio Leo, foi ir ao estádio em dia jogo com ele, foi muito legal. Eu e o seu enteado o Flavinho ficávamos nas cadeiras do Ernestão assistindo ao jogo e ali era possível visualizar as cabines de rádio e TV, e via os locutores e comentaristas que marcaram época na imprensa esportiva da cidade, mas isso a gente fala mais pra frente. Após o jogo tive acesso ao vestiário do estádio, ver os jogadores após um jogo é uma coisa bem diferente, pois havia discussões, risadas, orações e alegria, uma coisa que saberia bem o que era anos mais tarde.
Houve um momento na carreira do zagueiro Leo no Jec em que sua fase não era muito boa, acabou fazendo uns gols contra, alguns erros grosseiros, mas como ele era o ídolo ao meu alcance, quando o encontrava no corredor do prédio dizia a ele que eu não estava triste por ele e que tudo era culpa no novo colega de zaga dele, o valente Leandro que viera do Grêmio. Houve um dia que o Jec perdeu um jogo em casa, não lembro agora pra quem e que o xerifão Leo acabou fazendo um gol contra ao desviar um cruzamento, as mídias detonaram o zagueirão, queriam a cabeça dele em uma bandeja de prata. Esperei o negão no corredor, quase em frente ao seu apartamento e disse ale que a culpa não era dele que o goleiro Walter havia falhado. Acho que adiantou, pois mais uma vez foram campeões catarinenses e ele ganhou ainda um troféu O Jornaleiro dado pelo jornal A Notícia para a seleção do ano. Acho que pra ele foi uma ano inesquecível.
O Leo foi muito vitorioso no Jec, venceu alguns estaduais e fazia parte do famoso time de 1985 que ficou em 8º lugar do Brasileirão daquele ano, em 1986 ele foi embora do tricolor, tinha se mudado do prédio algum tempo antes e assim perdemos contato, jogou em alguns times de menor expressão. Fiquei muito triste ao saber pela coluna do Maceió que ele havia falecido, O Tio Leo fez parte da minha vida como um admirador do futebol e como um jequeano.
Mais um ídolo que tive contato de perto foi o ex-ponta direita e técnico Ratinho, uma figuraça, simpático, falante e adorava contar seus momentos em times inesquecíveis, como a Portuguesa de Desportos, onde viveu seus melhores dias. Contava como eram as chuteiras de cravo na sua época e quanto pesavam as bolas quando se jogava na chuva. Falava do Rei do Futebol Pelé, e como ele jogava, era uma viagem no tempo, uma sala de aula de futebol. Falava de tática, de técnica e de como um time deveria fazer para conseguir atingir o equilíbrio. Eu me tornava um rapazinho chato, pois como estudava perto de onde era sua loja, por um período de uns 9 meses, acredito que fui quase todos os dias á sua loja, nem que fosse pra dizer apenas um olá!!
Que Deus cuide muito bem de vocês!!!!
A primeira perda
Desde o dia que pisei no estádio as coisas mudaram bastante na minha vidinha de criança, meus pais se separaram, tive alguns problemas com o mundo, mas a maturidade precoce traz alguns bônus. Tornei-me o “hominho” da casa. Minha avó, vascaína, veio morar comigo e com minha mãe, e só pude acompanhar o tricolor pela televisão. Não conseguia perder os gols narrados pelo Marco Antônio Peixer para a RBS TV, no dia seguinte às partidas. Até que um dia de fevereiro soube pela TV que o Lico, nosso craque, tinha feito sua última partida pelo JEC contra o Bangu em Moça Bonita e iria para o Flamengo do meu ídolo, Zico.
Fiquei feliz por um lado, mas senti uma sensação de perda de outro. Aquele cara com jeitão de maloqueiro que ostentava uma bigodeira estilosa não ficaria mais em nossa cidade. Foi embora. Perdi muitas coisas neste fatídico ano do Senhor de 1981. Para que não fosse um ano perdido vi o rubro-negro carioca campeão da Libertadores da América contra o Cobreloa do Chile numa batalha em Montevideo e meses mais tarde em uma madrugada de dezembro o título do Mundial Interclubes em Tóquio contra o Liverpool da Inglaterra, Fiquei muito feliz, fui dormir com as camisas do Jec e do Flamengo. É lógico que tinha tudo a ver o Lico tava lá representando o tricolor!
O título estadual veio, para nós mas não consegui ver nada, apenas a comemoração e os foguetórios, mas lembro de sentir o gosto de ser campeão e do orgulho que a cidade tinha do time, pois nesta época o Jec não tinha hino, e quando faziam as chamadas congratulando o time pela conquista tocavam o hino da cidade, era incrível. Foi um ano diferente feliz e triste, não esqueci de quase nada!!!
Tudo na vida passa
Alguns meses depois o ano viraria e a noção de torcer e saber o que se quer, entender as regras do jogo, aprender a ler, foi notavelmente importante pra mim. Acompanhei mais uma vez o tricolor á distância, mais um campeonato. Alguns chegando outros indo embora. Foi a primeira Copa do Mundo que acompanhei com mais consciência do que ela representa. Assisti a primeira partida contra a União Soviética da muralha siberiana Dasaiev e o sofrimento que o Valdir Perez nos fez passar tomando um frangaço, que mais tarde fui perceber que era uma característica deste goleiro. Ganhamos com um golaço do Sócrates e uma pancada do Éder Aleixo depois de uma deixada perfeita do Falcão, bola no ângulo e 2 a 1 pro Brasil.
Depois foram os jogos contra Escócia e Nova Zelândia com exibição de gala de Zico e Falcão. Luciano do Valle e Juca Kfouri, junto com Mario Jorge Guimarães davam a moldura das pinturas que Brasil fazia em terras espanholas.
O jogo seguinte foi com a Argentina, atual campeã mundial da época que tinha Filiol no gol com a camisa 7, o Ardiles com a camisa 1 e um baixinho com barba por fazer, jeito de mal encarado que inclusive foi expulso daquele jogo, usava a camisa 10 que era nada menos que Diego Maradona. Ganhamos com autoridade, gols de Junior e Serginho Chulapa. Assisti esse jogo na instituição bancária que meu pai trabalhava no centro de Joinville, os homens ficaram eufóricos, falavam como era bom esse time, que tínhamos artistas e não jogadores, o então mestre Telê Santana comandava a trupe. Tudo andava ás mil maravilhas, o Brasil encatava o mundo todo. O samba cantado pelo lateral Junior “Voa canarinho voa”, tocava a toda hora nas rádios e na televisão. Tudo caminhava para uma conquista, só que faltava um último grande desafio.
O estádio Sarriá de Sevilha não tinha a beleza que o jogo merecia. Brasil e Itália se enfrentavam num clima de guerra por parte da Itália. O tal do Gentili de gentil não tinha nada, batia no Zico como se fosse um asno, o árbitro nada marcava, o manto amarelo foi rasgado pelos italianos e nem cartão eles tomavam. Paolo Rossi começou o sofrimento para o Brasil, Sócrates em uma jogada formidável de Zico empatou. Rossi de novo faz mais um. O empate classificava o Brasil e o cabeludo Falcão fez um golaço. O chato e condenável Paolo Rossi fez mais um, por mais que a cabeçada do zagueiro Oscar na época do São Paulo tivesse entrado, mas o safado do árbitro e o Dino Zoffi disseram que não e assim o Brasil entrou em luto. Vi homens chorando, as pessoas estavam muito tristes, o silêncio da cidade era algo assustador. Alguns revoltados falavam palavrões pela rua, os homens tão felizes minutos antes se tornaram rudes. Foi um acontecimento marcante na vida de todos os brasileiros.
Lembro de ter assistido a vários jogos muito interessantes daquela Copa. Alguns países que a muito tempo não figuram mais no cenário futebolístico mundial como o Kwait, Nova Zelãndia. Jogos que eram como se fossem guerras como a semi-final entre Alemanha do goleiro Schumacher do lateral Briegel. Breitner, Rumennigue e do jovem Matthaus, contra a França de Platini, Rochetaux, Girresse. Quer jogaço!! Deu Alemanha que pegaria a “maledeta” Itália que havia passado pela Polônia de Boniek na outra semi-final. Vi a final da Copa em casa, deu Itália e o Arnaldo Cesar Coelho se imortalizou no final do jogo ao levantar a bola como forma de encerrar a partida. Foi interessante.
Amadureci como torcedor, como criança entrando em fase escolar iniciaria uma outra fase em minha vida, que o Jec começaria a fazer mais parte.
Fiquei feliz por um lado, mas senti uma sensação de perda de outro. Aquele cara com jeitão de maloqueiro que ostentava uma bigodeira estilosa não ficaria mais em nossa cidade. Foi embora. Perdi muitas coisas neste fatídico ano do Senhor de 1981. Para que não fosse um ano perdido vi o rubro-negro carioca campeão da Libertadores da América contra o Cobreloa do Chile numa batalha em Montevideo e meses mais tarde em uma madrugada de dezembro o título do Mundial Interclubes em Tóquio contra o Liverpool da Inglaterra, Fiquei muito feliz, fui dormir com as camisas do Jec e do Flamengo. É lógico que tinha tudo a ver o Lico tava lá representando o tricolor!
O título estadual veio, para nós mas não consegui ver nada, apenas a comemoração e os foguetórios, mas lembro de sentir o gosto de ser campeão e do orgulho que a cidade tinha do time, pois nesta época o Jec não tinha hino, e quando faziam as chamadas congratulando o time pela conquista tocavam o hino da cidade, era incrível. Foi um ano diferente feliz e triste, não esqueci de quase nada!!!
Tudo na vida passa
Alguns meses depois o ano viraria e a noção de torcer e saber o que se quer, entender as regras do jogo, aprender a ler, foi notavelmente importante pra mim. Acompanhei mais uma vez o tricolor á distância, mais um campeonato. Alguns chegando outros indo embora. Foi a primeira Copa do Mundo que acompanhei com mais consciência do que ela representa. Assisti a primeira partida contra a União Soviética da muralha siberiana Dasaiev e o sofrimento que o Valdir Perez nos fez passar tomando um frangaço, que mais tarde fui perceber que era uma característica deste goleiro. Ganhamos com um golaço do Sócrates e uma pancada do Éder Aleixo depois de uma deixada perfeita do Falcão, bola no ângulo e 2 a 1 pro Brasil.
Depois foram os jogos contra Escócia e Nova Zelândia com exibição de gala de Zico e Falcão. Luciano do Valle e Juca Kfouri, junto com Mario Jorge Guimarães davam a moldura das pinturas que Brasil fazia em terras espanholas.
O jogo seguinte foi com a Argentina, atual campeã mundial da época que tinha Filiol no gol com a camisa 7, o Ardiles com a camisa 1 e um baixinho com barba por fazer, jeito de mal encarado que inclusive foi expulso daquele jogo, usava a camisa 10 que era nada menos que Diego Maradona. Ganhamos com autoridade, gols de Junior e Serginho Chulapa. Assisti esse jogo na instituição bancária que meu pai trabalhava no centro de Joinville, os homens ficaram eufóricos, falavam como era bom esse time, que tínhamos artistas e não jogadores, o então mestre Telê Santana comandava a trupe. Tudo andava ás mil maravilhas, o Brasil encatava o mundo todo. O samba cantado pelo lateral Junior “Voa canarinho voa”, tocava a toda hora nas rádios e na televisão. Tudo caminhava para uma conquista, só que faltava um último grande desafio.
O estádio Sarriá de Sevilha não tinha a beleza que o jogo merecia. Brasil e Itália se enfrentavam num clima de guerra por parte da Itália. O tal do Gentili de gentil não tinha nada, batia no Zico como se fosse um asno, o árbitro nada marcava, o manto amarelo foi rasgado pelos italianos e nem cartão eles tomavam. Paolo Rossi começou o sofrimento para o Brasil, Sócrates em uma jogada formidável de Zico empatou. Rossi de novo faz mais um. O empate classificava o Brasil e o cabeludo Falcão fez um golaço. O chato e condenável Paolo Rossi fez mais um, por mais que a cabeçada do zagueiro Oscar na época do São Paulo tivesse entrado, mas o safado do árbitro e o Dino Zoffi disseram que não e assim o Brasil entrou em luto. Vi homens chorando, as pessoas estavam muito tristes, o silêncio da cidade era algo assustador. Alguns revoltados falavam palavrões pela rua, os homens tão felizes minutos antes se tornaram rudes. Foi um acontecimento marcante na vida de todos os brasileiros.
Lembro de ter assistido a vários jogos muito interessantes daquela Copa. Alguns países que a muito tempo não figuram mais no cenário futebolístico mundial como o Kwait, Nova Zelãndia. Jogos que eram como se fossem guerras como a semi-final entre Alemanha do goleiro Schumacher do lateral Briegel. Breitner, Rumennigue e do jovem Matthaus, contra a França de Platini, Rochetaux, Girresse. Quer jogaço!! Deu Alemanha que pegaria a “maledeta” Itália que havia passado pela Polônia de Boniek na outra semi-final. Vi a final da Copa em casa, deu Itália e o Arnaldo Cesar Coelho se imortalizou no final do jogo ao levantar a bola como forma de encerrar a partida. Foi interessante.
Amadureci como torcedor, como criança entrando em fase escolar iniciaria uma outra fase em minha vida, que o Jec começaria a fazer mais parte.
Contatos Imediatos de 1º grau – minha primeira vez com o JEC
Minha história com o futebol começou cedo, lembro da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, era pequeno, minhas lembranças são muito vagas, mas fiquei com algumas cenas “grudadas” em minha mente. Primeiro o golaço do Nelinho contra a Itália e outro o gol anulado de Zico contra a Suécia que o árbitro encerrou o jogo durante a viagem da bola num escanteio, ainda lembro da indignação das pessoas em volta da televisão, enquanto os Campões Morais daquele Mundial davam uma volta olímpica simbólica no estádio Monumental de Nuñes.
Por influência do meu pai, tornei-me um rubro-negro carioca, via o Zico pela TV e pra mim ele era como um super-herói, eu e o velho adorávamos ver o galinho jogar. Nutro até hoje uma grande afeição pelo clube carioca, mas antigamente era diferente, outros tempos e minha mente de criança não processava muito bem todo o frenesi de um futebol bem jogado.
O Jec nesta época tornava-se um time de respeito, lembro dos foguetórios na 9 de março pelas conquistas no colo da minha querida mãe que ficava me doutrinando, dizendo que era um barulho de vitória do Jec, mas não fazia idéia do que se passava, apenas o susto e os barulhos de carros buzinando e pessoas gritando nas ruas. O “velho” falava do Fontan, que era craque, do Ratinho e do Ademir Padilha, mas pra mim eram ET’s, não via nada deles pela televisão, anos mais tarde conheci o saudoso Ratinho, e me tornei além de um cliente assíduo de sua loja que ficava no prédio do antigo Clube Joinvillense, ao lado da Grillo´s papelaria hoje Nova Casa Sofia, um, ouvinte de suas histórias da época em que jogou na Lusa (Portuguesa de Desportos) e óbvio o JEC, mas isso eu conto mais tarde.
Meu pai também me levou pra conhecer o primeiro goleiro do tricolor, o Raul Bosse, ele tinha uma churrascaria no final da Avenida Getúlio Vargas, e lá o próprio recebia os fãs, achei ele uma cara legal, mas pra mim era um ilustre desconhecido, só achei engraçado ele ter o mesmo nome do goleiro do Flamengo, o Raul Plasmann, lembro de perguntar pro pai, se tinha que se chamar Raul pra ser goleiro, os dois me olharam e riram, pobre criança ingênua!
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Até que um dia a mágica do futebol sem replays se mostrou diante aos meus pequenos olhos. Aos 5 anos de idade junto ao meu pai, fui ao estádio Ernesto Schlemp Sobrinho, o querido e saudoso Ernestão pela primeira vez, era 1980. O Jec estava jogando o Campeonato Brasileiro daquele ano. Tenho lembranças um pouco embaçadas sobre tudo. Sentamos na arquibancada coberta, do lado direito, que dava pra ver o estacionamento do estádio, cheio de carros como Corcéis, Chevettes e Brasílias.
Sentados e acomodados vi o Jec entrar em campo com um uniforme pouquíssimo usado, camisa branca com detalhe tricolor nas ribanas, calções e meias pretas. Um detalhe que me marcou muito foi quando meu pai me apontou pro nº6 do agora “nosso” time, era o Ladinho, magrão bom de bola, lateral de primeira linhagem que havia vindo do Grêmio pra cá. O nosso camisa 8, o Lico não tava jogando aquele dia, se tava não me lembro bem. Lembro bem do goleiro do tricolor, era o Borrachinha... Mulato com cara de gente boa ficou, muito famoso aqui em Joinville, veio do Botafogo-RJ pra cá. Outras figuras que não pude deixar de notar eram o Zé Carlos Paulista, nosso atacante, o zagueiraço saudoso Wagner Bacharel e seu bigode de motoqueiro Hell’s Angels da época. Da partida em si, não lembro de detalhes, lembro da sensação de ver um gol no estádio pela primeira vez, foi assustador, acostumado a ver os jogos pela televisão e brincado de carrinho de ferro na sala de casa, no conforto do lar, sem muito barulho, usufruindo a regalia de ser filho único. E depois, assistir um jogo no estádio cheio, era como se um terremoto tivesse acontecendo, nunca havia ouvido um barulho tão estrondoso, a histeria coletiva tomava conta daqueles “tios” todos, depois achei graça.
Após o jogo ainda na saída do estádio vi as pessoas saindo felizes e contentes, olhava pro rosto dos “tios” e eles visivelmente semi-embriagados de cerveja quente me olhavam e diziam o coro mais entoado na cidade em toda a sua história: “JÉÈÈÈÈÈQUÊÊÊÊ!!!!!! Nunca mais esqueci este dia, e meu coraçãozinho de apenas 5 aninhos tornou-se tricolor de maneira imediata. Não se consegue explicar com palavras o sentimento, até porque, na infância a gente simplesmente gosta ou não das coisas, pessoas, comidas e lógico, times de futebol. Tenho certeza que foi o primeiro de alguns dos amores a primeira vista da minha vida!!!!! O Flamengo toma uma parte do meu coração, não nego mas o JEC loteou minha mente e faz parte da minha vida. Acompanha o meu cotidiano, é como se fosse uma propriedade, um irmão, não sei explicar. O Jec é o Jec!!!
Por influência do meu pai, tornei-me um rubro-negro carioca, via o Zico pela TV e pra mim ele era como um super-herói, eu e o velho adorávamos ver o galinho jogar. Nutro até hoje uma grande afeição pelo clube carioca, mas antigamente era diferente, outros tempos e minha mente de criança não processava muito bem todo o frenesi de um futebol bem jogado.
O Jec nesta época tornava-se um time de respeito, lembro dos foguetórios na 9 de março pelas conquistas no colo da minha querida mãe que ficava me doutrinando, dizendo que era um barulho de vitória do Jec, mas não fazia idéia do que se passava, apenas o susto e os barulhos de carros buzinando e pessoas gritando nas ruas. O “velho” falava do Fontan, que era craque, do Ratinho e do Ademir Padilha, mas pra mim eram ET’s, não via nada deles pela televisão, anos mais tarde conheci o saudoso Ratinho, e me tornei além de um cliente assíduo de sua loja que ficava no prédio do antigo Clube Joinvillense, ao lado da Grillo´s papelaria hoje Nova Casa Sofia, um, ouvinte de suas histórias da época em que jogou na Lusa (Portuguesa de Desportos) e óbvio o JEC, mas isso eu conto mais tarde.
Meu pai também me levou pra conhecer o primeiro goleiro do tricolor, o Raul Bosse, ele tinha uma churrascaria no final da Avenida Getúlio Vargas, e lá o próprio recebia os fãs, achei ele uma cara legal, mas pra mim era um ilustre desconhecido, só achei engraçado ele ter o mesmo nome do goleiro do Flamengo, o Raul Plasmann, lembro de perguntar pro pai, se tinha que se chamar Raul pra ser goleiro, os dois me olharam e riram, pobre criança ingênua!
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Até que um dia a mágica do futebol sem replays se mostrou diante aos meus pequenos olhos. Aos 5 anos de idade junto ao meu pai, fui ao estádio Ernesto Schlemp Sobrinho, o querido e saudoso Ernestão pela primeira vez, era 1980. O Jec estava jogando o Campeonato Brasileiro daquele ano. Tenho lembranças um pouco embaçadas sobre tudo. Sentamos na arquibancada coberta, do lado direito, que dava pra ver o estacionamento do estádio, cheio de carros como Corcéis, Chevettes e Brasílias.
Sentados e acomodados vi o Jec entrar em campo com um uniforme pouquíssimo usado, camisa branca com detalhe tricolor nas ribanas, calções e meias pretas. Um detalhe que me marcou muito foi quando meu pai me apontou pro nº6 do agora “nosso” time, era o Ladinho, magrão bom de bola, lateral de primeira linhagem que havia vindo do Grêmio pra cá. O nosso camisa 8, o Lico não tava jogando aquele dia, se tava não me lembro bem. Lembro bem do goleiro do tricolor, era o Borrachinha... Mulato com cara de gente boa ficou, muito famoso aqui em Joinville, veio do Botafogo-RJ pra cá. Outras figuras que não pude deixar de notar eram o Zé Carlos Paulista, nosso atacante, o zagueiraço saudoso Wagner Bacharel e seu bigode de motoqueiro Hell’s Angels da época. Da partida em si, não lembro de detalhes, lembro da sensação de ver um gol no estádio pela primeira vez, foi assustador, acostumado a ver os jogos pela televisão e brincado de carrinho de ferro na sala de casa, no conforto do lar, sem muito barulho, usufruindo a regalia de ser filho único. E depois, assistir um jogo no estádio cheio, era como se um terremoto tivesse acontecendo, nunca havia ouvido um barulho tão estrondoso, a histeria coletiva tomava conta daqueles “tios” todos, depois achei graça.
Após o jogo ainda na saída do estádio vi as pessoas saindo felizes e contentes, olhava pro rosto dos “tios” e eles visivelmente semi-embriagados de cerveja quente me olhavam e diziam o coro mais entoado na cidade em toda a sua história: “JÉÈÈÈÈÈQUÊÊÊÊ!!!!!! Nunca mais esqueci este dia, e meu coraçãozinho de apenas 5 aninhos tornou-se tricolor de maneira imediata. Não se consegue explicar com palavras o sentimento, até porque, na infância a gente simplesmente gosta ou não das coisas, pessoas, comidas e lógico, times de futebol. Tenho certeza que foi o primeiro de alguns dos amores a primeira vista da minha vida!!!!! O Flamengo toma uma parte do meu coração, não nego mas o JEC loteou minha mente e faz parte da minha vida. Acompanha o meu cotidiano, é como se fosse uma propriedade, um irmão, não sei explicar. O Jec é o Jec!!!
29/01/1976
Um gol aos 49 minutos do segundo tempo, uma euforia que faz os instintos mais primitivos virem à tona como se conseguíssemos dominar o fogo pela primeira vez, uma sensação de estase puro, flutuávamos pelo ar junto com os brados impublicáveis. Casais, crianças, pessoas desconhecidas uma das outras se tornavam irmãs de sangue por alguns momentos. Estava eu, em frente a um quiosque em um shopping Center da nossa Joinville, dando uma fugidinha para assistir o final do segundo tempo entre o glorioso Joinville Esporte Clube (o nosso Jec) contra o Avaí pela final do primeiro turno do Campeonato Catarinense de 2010, o placar era 1x0 para o visitante e precisávamos de um simples empate para nos sagrarmos campeões do turno e classificarmos para a final do campeonato. Olhei para a TV e só consigo ver a bola do Ricardinho, nosso meio campo desviar na zaga do Avaí e a sensação descrita acontecer como uma mágica. O amor de uma cidade inteira se manifesta através dos gritos, e o meu ressurgir como se fosso algo arrebatador. O nosso JEC estava de volta, com autoridade, suor, trabalho e lágrimas, mas desta vez lágrimas de felicidade.
A minha história com esta instituição da paixão joinvillense nasce junto com o surgimento do JEC, no dia de sua fundação em 29/01/1976, tudo bem que eu era apenas um bebê de 1 mês e alguns dias, mas desde este dia minha vida e a do clube acabam se cruzando em momentos muito interessantes, belos, engraçados e tristes, como é toda trajetória de um torcedor.
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A minha história com esta instituição da paixão joinvillense nasce junto com o surgimento do JEC, no dia de sua fundação em 29/01/1976, tudo bem que eu era apenas um bebê de 1 mês e alguns dias, mas desde este dia minha vida e a do clube acabam se cruzando em momentos muito interessantes, belos, engraçados e tristes, como é toda trajetória de um torcedor.
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