domingo, 2 de maio de 2010

Contatos Imediatos de 1º grau – minha primeira vez com o JEC

Minha história com o futebol começou cedo, lembro da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, era pequeno, minhas lembranças são muito vagas, mas fiquei com algumas cenas “grudadas” em minha mente. Primeiro o golaço do Nelinho contra a Itália e outro o gol anulado de Zico contra a Suécia que o árbitro encerrou o jogo durante a viagem da bola num escanteio, ainda lembro da indignação das pessoas em volta da televisão, enquanto os Campões Morais daquele Mundial davam uma volta olímpica simbólica no estádio Monumental de Nuñes.

Por influência do meu pai, tornei-me um rubro-negro carioca, via o Zico pela TV e pra mim ele era como um super-herói, eu e o velho adorávamos ver o galinho jogar. Nutro até hoje uma grande afeição pelo clube carioca, mas antigamente era diferente, outros tempos e minha mente de criança não processava muito bem todo o frenesi de um futebol bem jogado.
O Jec nesta época tornava-se um time de respeito, lembro dos foguetórios na 9 de março pelas conquistas no colo da minha querida mãe que ficava me doutrinando, dizendo que era um barulho de vitória do Jec, mas não fazia idéia do que se passava, apenas o susto e os barulhos de carros buzinando e pessoas gritando nas ruas. O “velho” falava do Fontan, que era craque, do Ratinho e do Ademir Padilha, mas pra mim eram ET’s, não via nada deles pela televisão, anos mais tarde conheci o saudoso Ratinho, e me tornei além de um cliente assíduo de sua loja que ficava no prédio do antigo Clube Joinvillense, ao lado da Grillo´s papelaria hoje Nova Casa Sofia, um, ouvinte de suas histórias da época em que jogou na Lusa (Portuguesa de Desportos) e óbvio o JEC, mas isso eu conto mais tarde.

Meu pai também me levou pra conhecer o primeiro goleiro do tricolor, o Raul Bosse, ele tinha uma churrascaria no final da Avenida Getúlio Vargas, e lá o próprio recebia os fãs, achei ele uma cara legal, mas pra mim era um ilustre desconhecido, só achei engraçado ele ter o mesmo nome do goleiro do Flamengo, o Raul Plasmann, lembro de perguntar pro pai, se tinha que se chamar Raul pra ser goleiro, os dois me olharam e riram, pobre criança ingênua!
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Até que um dia a mágica do futebol sem replays se mostrou diante aos meus pequenos olhos. Aos 5 anos de idade junto ao meu pai, fui ao estádio Ernesto Schlemp Sobrinho, o querido e saudoso Ernestão pela primeira vez, era 1980. O Jec estava jogando o Campeonato Brasileiro daquele ano. Tenho lembranças um pouco embaçadas sobre tudo. Sentamos na arquibancada coberta, do lado direito, que dava pra ver o estacionamento do estádio, cheio de carros como Corcéis, Chevettes e Brasílias.
Sentados e acomodados vi o Jec entrar em campo com um uniforme pouquíssimo usado, camisa branca com detalhe tricolor nas ribanas, calções e meias pretas. Um detalhe que me marcou muito foi quando meu pai me apontou pro nº6 do agora “nosso” time, era o Ladinho, magrão bom de bola, lateral de primeira linhagem que havia vindo do Grêmio pra cá. O nosso camisa 8, o Lico não tava jogando aquele dia, se tava não me lembro bem. Lembro bem do goleiro do tricolor, era o Borrachinha... Mulato com cara de gente boa ficou, muito famoso aqui em Joinville, veio do Botafogo-RJ pra cá. Outras figuras que não pude deixar de notar eram o Zé Carlos Paulista, nosso atacante, o zagueiraço saudoso Wagner Bacharel e seu bigode de motoqueiro Hell’s Angels da época. Da partida em si, não lembro de detalhes, lembro da sensação de ver um gol no estádio pela primeira vez, foi assustador, acostumado a ver os jogos pela televisão e brincado de carrinho de ferro na sala de casa, no conforto do lar, sem muito barulho, usufruindo a regalia de ser filho único. E depois, assistir um jogo no estádio cheio, era como se um terremoto tivesse acontecendo, nunca havia ouvido um barulho tão estrondoso, a histeria coletiva tomava conta daqueles “tios” todos, depois achei graça.

Após o jogo ainda na saída do estádio vi as pessoas saindo felizes e contentes, olhava pro rosto dos “tios” e eles visivelmente semi-embriagados de cerveja quente me olhavam e diziam o coro mais entoado na cidade em toda a sua história: “JÉÈÈÈÈÈQUÊÊÊÊ!!!!!! Nunca mais esqueci este dia, e meu coraçãozinho de apenas 5 aninhos tornou-se tricolor de maneira imediata. Não se consegue explicar com palavras o sentimento, até porque, na infância a gente simplesmente gosta ou não das coisas, pessoas, comidas e lógico, times de futebol. Tenho certeza que foi o primeiro de alguns dos amores a primeira vista da minha vida!!!!! O Flamengo toma uma parte do meu coração, não nego mas o JEC loteou minha mente e faz parte da minha vida. Acompanha o meu cotidiano, é como se fosse uma propriedade, um irmão, não sei explicar. O Jec é o Jec!!!

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