Ele é CRISTIANO DE JESUS MARANHO.
EEsporte Joinville - Como aconteceu a escolha pela arbitragem
de basquetebol?
Cristiano Maranho- Primeiramente bom dia e obrigado pela oportunidade de me
apresentar, bom vamos lá, eu jogava basquete no Paraná na cidade de Apucarana,
joguei até o adulto e o meu técnico era árbitro da federação paranaense, e
quando o time se dissolveu, e como eu não era um craque, mas amava e amo o
basquete, eu queria continuar no meio do basquete. Então o meu técnico me
convidou para fazer um curso de arbitragem eu prontamente aceitei e daí em
diante entraram no mundo da arbitragem e estou nele até hoje.
2EJ - Como foi a ida para o quadro da FIBA
(Federação Internacional de Basquetebol)?
CM - Bom tudo começou em 1995, quando o meu time acabou e eu entrei
para o quadro de árbitros da federação paranaense, eu tinha 21, em 1996 houve
em Curitiba um clínica para se tornar árbitro nacional a qual eu fiz e passei
com 22 anos, em fevereiro de 1998 houve uma clínica em São Paulo para se tornar
árbitro internacional, onde estavam os 24 árbitros nacionais pré-aprovados,
para somente 8 vagas para a clínica internacional, tive a felicidade de ser
escolhido entre estas 8 vagas com apenas 24 anos e 3 anos de arbitragem, onde
estou até agora, com 13 anos como árbitro fiba. Tendo no currículo 1 Olimpíada,
4 Mundiais, 1 Panamericano, 2 pré-mundiais, 2 pré-olímpicos, 1 jogos asiáticos
entre outros campeonatos importantes.
3EJ - Qual a rotina de preparação de um
árbitro para chegar no quadro da FIBA?
CM- Muito treino físico,
muito estudo da regra, muita dedicação, estudo de língua estrangeira (inglês e
também o espanhol) e principalmente muita força de vontade de chegar a ser
árbitro fiba, pois temos que nos abdicar de muitas coisas, vida social, amizades
e muitas vezes família, pois para se chegar a árbitro fiba, não existe feriado,
sábado ou domingo, existe dia de descanso para os treinos e jogos.
CM -
Na realidade não, o que houve é uma maior atenção dos jogadores na área de
semicírculo, para ver se o jogador defensivo esta dentro ou não da área citada
e também em relação dos 24 segundos na área de ataque, mas é bem tranqüilo.
EJ - O instinto de reclamação e de discordância com a arbitragem é praticamente
nato nos jogadores de basquete. Qual país possui os jogadores mais difíceis de
arbitrar?
CM - Com certeza os países latinos, por causa do “sangue quente”.
EJ - Existe
alguma mudança no estilo de mediar uma partida da liga nacional (NBB), jogos
internacionais e partidas do naipe feminino?
CM -
Teoricamente não deveria ter, o que acontece é que no masculino o contato com
os jogadores e equipes é maior no campeonato nacional, por exemplo o nacional
dura de 6 a 7 meses, e um campeonato
internacional dura 15 dias, no feminino o que diferencia são os contatos e a interferência da bola na descendente, no
mais basicamente é igual.
EJ - Quais os árbitros que são referência pra você?
CM - Quando eu comecei a arbitrar nós tínhamos alguns árbitros como
referência nacional, que eram: Surubi (MG), Fontana (SP), Pelissari (SP),
Piovesan (SP), Mabilde (RS), Santoro (RS), Reantinho (SP), Pacheco (SP).
Atualmente internacionalmente eu procuro me espelhar muito em dois árbitros
fiba Pablo Estevez (Argentina) e Romualdas Brazauskas (Lituania)
EJ - Como
foi arbitrar uma final de campeonato Mundial? Conte como foram os bastidores
dessa final, a escolha, o jogo e o pós jogo!
CM -
É a realização de um sonho e de um objetivo alcançado, te digo isso, por que
todo árbitro quando chega na categoria internacional qual é o seu objetivo? É
arbitrar uma final olímpica e uma final de mundial adulto, e com isso eu
consegui alcançar um dos meus objetivos traçados para minha carreira.
Quando
vai afunilando o campeonato também vai afunilando os árbitros, vão apitando
somente os melhores, e em uma competição nível A da fiba (mundial adulto e
jogos olímpicos) realmente só vão os melhores ou quem esta melhor naquele
momento, e eu observava o nível da arbitragem, e pensava comigo caramba só tem
cara bom, e pra chegar à final você tem que fazer o seu melhor 100%, olhava
para o lado e tinha todos os europeus que apitvam a euroliga, olhava para o
outro e tinhas os árbitro do continente americano que tinham no currículo
vários mundiais 2 jogos olímpicos também tinha árbitros da NBA, então a
concorrência era muito forte. Quando saiu a escala da semifinal e eu não estava
fiquei pensando ou eu vou apitar a final ou estou fora dos grandes jogos, e
comecei a fazer minha auto-análise, o problema é que nós não sabemos o que
passa na cabeça de quem faz a escala... e a ansiedade bate forte porém temos
que nós controlar, e na noite anterior a final, na hora do jantar foi entregue
a escala e todos correm os olhos para a final, quando recebi a escala corri
meus olhos para a escala do jogo final, olhei de cima para baixo do terceiro
para o primeiro árbitro, quando percebi que eu era o árbitro 1 do jogo, meu
coração disparou, secou a boca e as lágrimas vieram nos olhos e todos os
árbitros do continente americano vieram me abraçar e dar os parabéns, depois
vieram os europeus, não tenho como explicar o sentimento que veio na hora,
simplesmente queria dividir a notícia com minha família, minha esposa, minha
filha, pois nesta hora vale a pena todo o esforço, todo o tempo que você fica
longe da família, se abdica da sua vida social, enfim é a coroação de todo um
esforço grande feito por nós e também
pela nossa família.
O
jogo em si foi muito bom, o ginásio com 20 mil pessoas o mundo do basquetebol
parou para ver aquele jogo, e o gostoso é saber que você foi designado para
conduzir uma partida tão importante como aquela, administrar jogadores do mais
alto nível do basquete mundial é uma situação que você tem que estar muito bem
preparado psicologicamente e tecnicamente, mas foi muito bom.
O
pós jogo foi maravilhoso, por que você tem o sentimento do dever cumprido, de
ter traçado uma meta pra sua carreira e ter alcançado tudo o que se foi
planejado, um sentimento de vitória, um filme de tudo o que se passou para
chegar ali naquele momento passa pela sua cabeça, é muito bom saber que pessoas
que comandam o basquete mundial confiam em seu trabalho.
EJ - Considerações finais, espaço aberto para falar sobre algo que gostaria de
responder e não foi perguntado
CM - Gostaria
de agradecer mais uma vez a oportunidade de falar um pouco sobre nós árbitros.
Queria deixar claro aqui, que sabemos que o ponto de desabafo dos torcedores e
de algumas pessoas descarregarem a responsabilidade encima de nós árbitros, mas
digo que o árbitro não entra em quadra com pensamento de prejudicar ninguém,
entramos em quadra, para fazer o nosso melhor e tentar não errar, mas... Todos
somos seres humanos e somos passíveis de
erros mas tentamos com nossos esforços fazer o nosso melhor para poder sair com
a consciência tranqüila de saber que
fizemos o nosso melhor.
Aos
árbitros mais novos ou os que querem chegar a trabalhar no alto nível, se
dediquem, se esforcem e acima de tudo amem o que fazem, não penso só no lado
financeiro, mas se dediquem com amor e paixão, por que sem isso, não alcançamos
os nossos objetivos.
Abraços
a todos.
Esse foi o Tabelinha com Cristiano Maranho, árbitro FIBA,CBB e FCB

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