terça-feira, 29 de novembro de 2011

Tabelinha com.....Cristiano Maranho, árbitro FIBA

O Tabelinha desta semana, fala com um dos melhores árbitros de basquete do mundo, ele mora em Florianópolis nasceu no Paraná mas é um cidadão do mundo. Representou o Brasil com muita competência na final do último Campeonato Mundial de Basquete Masculino realizado na Turquia em 2010, baixarel em História, fez da própria uma de sucesso. Obstinado, preciso, tranquilo e competente. Tem no currículo tantos jogos e competições importantes que daria um livro só citá-los!
Ele é CRISTIANO DE JESUS MARANHO.


EEsporte Joinville -    Como aconteceu a escolha pela arbitragem de basquetebol?
Cristiano Maranho- Primeiramente bom dia e obrigado pela oportunidade de me apresentar, bom vamos lá, eu jogava basquete no Paraná na cidade de Apucarana, joguei até o adulto e o meu técnico era árbitro da federação paranaense, e quando o time se dissolveu, e como eu não era um craque, mas amava e amo o basquete, eu queria continuar no meio do basquete. Então o meu técnico me convidou para fazer um curso de arbitragem eu prontamente aceitei e daí em diante entraram no mundo da arbitragem e estou nele até hoje.

2EJ -    Como foi a ida para o quadro da FIBA (Federação Internacional de Basquetebol)?
CM - Bom tudo começou em 1995, quando o meu time acabou e eu entrei para o quadro de árbitros da federação paranaense, eu tinha 21, em 1996 houve em Curitiba um clínica para se tornar árbitro nacional a qual eu fiz e passei com 22 anos, em fevereiro de 1998 houve uma clínica em São Paulo para se tornar árbitro internacional, onde estavam os 24 árbitros nacionais pré-aprovados, para somente 8 vagas para a clínica internacional, tive a felicidade de ser escolhido entre estas 8 vagas com apenas 24 anos e 3 anos de arbitragem, onde estou até agora, com 13 anos como árbitro fiba. Tendo no currículo 1 Olimpíada, 4 Mundiais, 1 Panamericano, 2 pré-mundiais, 2 pré-olímpicos, 1 jogos asiáticos entre outros campeonatos importantes.

3EJ -    Qual a rotina de preparação de um árbitro para chegar no quadro da FIBA? 
CM- Muito treino físico, muito estudo da regra, muita dedicação, estudo de língua estrangeira (inglês e também o espanhol) e principalmente muita força de vontade de chegar a ser árbitro fiba, pois temos que nos abdicar de muitas coisas, vida social, amizades e muitas vezes família, pois para se chegar a árbitro fiba, não existe feriado, sábado ou domingo, existe dia de descanso para os treinos e jogos. 

 EJ - As mudanças na regra após o último campeonato Mundial realizado na Turquia exigiram uma mudança no estilo de arbitrar uma partida? 
CM - Na realidade não, o que houve é uma maior atenção dos jogadores na área de semicírculo, para ver se o jogador defensivo esta dentro ou não da área citada e também em relação dos 24 segundos na área de ataque, mas é bem tranqüilo.


EJ - O instinto de reclamação e de discordância com a arbitragem é praticamente nato nos jogadores de basquete. Qual país possui os jogadores mais difíceis de arbitrar? 
CM - Com certeza os países latinos, por causa do “sangue quente”. 


EJ - Existe alguma mudança no estilo de mediar uma partida da liga nacional (NBB), jogos internacionais e partidas do naipe feminino? 
CM - Teoricamente não deveria ter, o que acontece é que no masculino o contato com os jogadores e equipes é maior no campeonato nacional, por exemplo o nacional dura de 6 a 7 meses, e um  campeonato internacional dura 15 dias, no feminino o que diferencia são os contatos  e a interferência da bola na descendente, no mais basicamente é igual. 

EJ - Quais os árbitros que são referência pra você? 
CM - Quando eu comecei a arbitrar nós tínhamos alguns árbitros como referência nacional, que eram: Surubi (MG), Fontana (SP), Pelissari (SP), Piovesan (SP), Mabilde (RS), Santoro (RS), Reantinho (SP), Pacheco (SP). Atualmente internacionalmente eu procuro me espelhar muito em dois árbitros fiba Pablo Estevez (Argentina) e Romualdas Brazauskas (Lituania)

EJ - Como foi arbitrar uma final de campeonato Mundial? Conte como foram os bastidores dessa final, a escolha, o jogo e o pós jogo! 
CM - É a realização de um sonho e de um objetivo alcançado, te digo isso, por que todo árbitro quando chega na categoria internacional qual é o seu objetivo? É arbitrar uma final olímpica e uma final de mundial adulto, e com isso eu consegui alcançar um dos meus objetivos traçados para minha carreira. 

Quando vai afunilando o campeonato também vai afunilando os árbitros, vão apitando somente os melhores, e em uma competição nível A da fiba (mundial adulto e jogos olímpicos) realmente só vão os melhores ou quem esta melhor naquele momento, e eu observava o nível da arbitragem, e pensava comigo caramba só tem cara bom, e pra chegar à final você tem que fazer o seu melhor 100%, olhava para o lado e tinha todos os europeus que apitvam a euroliga, olhava para o outro e tinhas os árbitro do continente americano que tinham no currículo vários mundiais 2 jogos olímpicos também tinha árbitros da NBA, então a concorrência era muito forte. Quando saiu a escala da semifinal e eu não estava fiquei pensando ou eu vou apitar a final ou estou fora dos grandes jogos, e comecei a fazer minha auto-análise, o problema é que nós não sabemos o que passa na cabeça de quem faz a escala... e a ansiedade bate forte porém temos que nós controlar, e na noite anterior a final, na hora do jantar foi entregue a escala e todos correm os olhos para a final, quando recebi a escala corri meus olhos para a escala do jogo final, olhei de cima para baixo do terceiro para o primeiro árbitro, quando percebi que eu era o árbitro 1 do jogo, meu coração disparou, secou a boca e as lágrimas vieram nos olhos e todos os árbitros do continente americano vieram me abraçar e dar os parabéns, depois vieram os europeus, não tenho como explicar o sentimento que veio na hora, simplesmente queria dividir a notícia com minha família, minha esposa, minha filha, pois nesta hora vale a pena todo o esforço, todo o tempo que você fica longe da família, se abdica da sua vida social, enfim é a coroação de todo um esforço grande  feito por nós e também pela nossa família. 
O jogo em si foi muito bom, o ginásio com 20 mil pessoas o mundo do basquetebol parou para ver aquele jogo, e o gostoso é saber que você foi designado para conduzir uma partida tão importante como aquela, administrar jogadores do mais alto nível do basquete mundial é uma situação que você tem que estar muito bem preparado psicologicamente e tecnicamente, mas foi muito bom. 
O pós jogo foi maravilhoso, por que você tem o sentimento do dever cumprido, de ter traçado uma meta pra sua carreira e ter alcançado tudo o que se foi planejado, um sentimento de vitória, um filme de tudo o que se passou para chegar ali naquele momento passa pela sua cabeça, é muito bom saber que pessoas que comandam o basquete mundial confiam em seu trabalho. 


EJ - Considerações finais, espaço aberto para falar sobre algo que gostaria de responder e não foi perguntado 
CM - Gostaria de agradecer mais uma vez a oportunidade de falar um pouco sobre nós árbitros. Queria deixar claro aqui, que sabemos que o ponto de desabafo dos torcedores e de algumas pessoas descarregarem a responsabilidade encima de nós árbitros, mas digo que o árbitro não entra em quadra com pensamento de prejudicar ninguém, entramos em quadra, para fazer o nosso melhor e tentar não errar, mas... Todos somos seres humanos  e somos passíveis de erros mas tentamos com nossos esforços fazer o nosso melhor para poder sair com a consciência  tranqüila de saber que fizemos o nosso melhor.

Aos árbitros mais novos ou os que querem chegar a trabalhar no alto nível, se dediquem, se esforcem e acima de tudo amem o que fazem, não penso só no lado financeiro, mas se dediquem com amor e paixão, por que sem isso, não alcançamos os nossos objetivos.

Abraços a todos.


Esse foi o Tabelinha com Cristiano Maranho, árbitro FIBA,CBB e FCB

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